Luzes

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Cerrado - 7

Verdade, liberdade que me encanta. Luz espraiada nas águas emendadas das veredas do cerrado.

Bata-me um abacate com rapadura

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"É pela brecha da cultura que podemos dar o salto do reencontro do país com sua cara. Um Brasil totalmente simples, mas radicalmente humano. O que importa é alimentar gente, educar gente, empregar gente. E descobrir e reinventar gente é a grande obra da cultura." Herbert Souza, Betinho. A Lei da Anistia Política foi promulgada em 1979 e assim Betinho voltou para o Brasil. No início da década de noventa, ele liderou o movimento pela Ética na Política que culminou na Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida. A partir daí a fome e a miséria viraram pauta de muita gente e por toda parte foram criados os comitês de combate a fome. 


O governo coopta essa idéia e passa a distribuir a cesta básica. Era uma vergonha, alimentos estragados, filas enormes, às vezes com a presença dos caminhões do Exército, policiais armados e o povo faminto sendo exposto, principalmente no interior do Nordeste. Vi isso várias vezes. Os Conselhos Participativos, que tinham como estratégia a descentralização, transparência e participação, foram criados para fazer o controle social- era uma exigência dos agentes financeiros do exterior. Os Conselhos foram dominados pela politicagem e passaram a ser o faz voto, descaradamente. No domínio integravam as Prefeituras, o Governo do Estado, o Federal e entidades da sociedade civil, todos mancomunados.  


Foram muitas as denúncias, desistiram de distribuir a tal da Cesta e partiram para os Vales, ... as Bolsas. Em 2002 passam a fazer o Cadastro Único, pela Caixa Econômica a fim de unificar os benefícios federais distribuídos por família. Esse Cadastro Único vira a Bolsa Família no novo governo. 


Em 2003 o novo presidente (apesar de ser mais conhecido como operário, não deixa de ser um representante da diáspora sertaneja, causada pelas inúmeras secas) cria o Programa Fome Zero. Através da TV, ele convoca os voluntários para criarem em cada município um Comitê do Fome Zero, para a partir daí fazer as correções das distorcidas listas das famílias cadastradas, pelo país a fora. Foram dias e dias com várias pessoas ajudando a fazer “justiça”, para atender os mais necessitados. Após mais ou menos seis meses de governo, nossa comunicação com o Fome Zero em Brasília é cortada e o controle volta para as mãos das prefeituras.


Na sequência, o Partido dos Trabalhadores passa a criar seus núcleos municipais com os canalhas, cheguei ao cúmulo de procurar na capital o presidente do Partido no Estado da Bahia para denunciar, ele me olhava com aquela cara: "oh como ela é inocente, pura e besta". Até um deputado que já foi preso político, agiu como os dominadores da direita, tentando me convencer que é preciso fazer assim para ganhar as eleições. Será que se preocupam com a situação com municípios que estão em situação vergonhosa? Como Boninal, por exemplo. 


Quero deixar claro, que nunca me filiei a nenhum partido político e jamais farei, contudo não deixo de incomodar o sistema estabelecido, sinto a perseguição continuamente. Faço do meu ordinário cotidiano uma labuta pela beleza e decência, que envolva os humanos e toda a natureza. Tenho como influência os nordestinos que pensaram de forma integrada o desenvolvimento local e global: Anísio Teixeira, Josué de Castro, Paulo Freire, Celso Furtado e Milton Santos. A tão propagada ATER (Assistência Técnica de Extensão Rural), feita pelos órgãos do governo responsáveis por isso, foi entregue a terceiros, que se eximem assim de fazer política pública direta, que nos atenda com dignidade.


Fomos entregues aos intermediários, atravessadores, ongs da "amigocracia", que também atuam na área de educação, cultura e meio ambiente. É a democracia para os amigos, que se acham legitimados pelo faz de conta das Conferências. A Chapada Diamantina, que é uma grife, tem algumas delas. Já que meu “ativismo” está na prática, fica difícil entrar aqui no mundo virtual, ficar horas sentada na frente de uma máquina, prejudicar a saúde e testemunhar tanta ruindade e desrespeito. Perdoem aqueles que aqui me pedem mais presença.

periquito, brasileirinho, nome dado por Eduarda, menina muito legal da Cutia

Correntezas

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Asas para as mãos, Olhares, Para a luz do tempo seco, As águas, Polinizadoras, Luzes, Eternas, são títulos das postagens anteriores. Correntezas...

Ontem a equipe da Solisluna Editora saiu de Salvador, Bahia, para participar da Feira do Livro de Frankfurt. Frankfurt am Main, Francoforte do Meno.

Junto vou eu, levando na alma a força do sertão ao encontro do rio Meno, que pode ser Branco, Vermelho, que se encontram com o Reno... imenso rio que atravessa a Europa.

Reno significa fluir, é com esse espírito que vou nas correntezas da vida! Correntezas, sinto-me arrastada por elas, no fluxo da magia do coletivo, sempre! Êa!  

 

Eternas

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Cada vez que eu voltava de uma viagem, sentia mãe mais distante deste mundo. Como se carregasse a credulidade de que realmente morreria como um passarinho. Assim foi: num sopro fulminante, em 17 de maio de 2013. 

Eu havia chegado de mais uma viagem na quarta-feira, e na sexta cedo iria para a roça. Na preparação para sair de Boninal para a Rocinha, recebi a ligação do meu irmão… "mãe morreu".

O impacto da noticia me causou cegueira momentânea, mas a luz, na sua velocidade estonteante revelou: mãe acertou. Uma linda onça iluminada brilha em algum canto do fim do mundo! As pessoas traziam flores em bacias, entravam e saiam, o semblante de mãe era sereno.

Logo as lembranceiras montaram em nossos juízos…mostrei as fotos e o vídeo onde ela orientava como queria seu túmulo.

Até o sétimo dia ficamos na labuta com as mudanças que a ausência de mãe causaria em nossas vidas. Dentre inúmeras visitas, telefonemas e mensagens que recebemos e agradecemos com amor, publico essa enviada pelo celular, por Tito Rosemberg - um ser humano ímpar, um viajante experiente, que numa rápida passagem pela roça percebeu a importância da integridade que mãe carregava, não só para nós da família: 

"Amiga, a partida para sempre de alguém tão significativo em nossa vida nunca é fácil de ser digerida. A alma não consegue encontrar respostas e a bússola não vai achar o norte por um bom tempo. Mas é uma ótima oportunidade para fazermos um balanço da vida e das opções à nossa frente. Pode ser um momento maravilhoso de desprendimento. Penso que se faz necessário um tempo de reflexão, sem pressa, sem preconceitos e sem expectativas. Uma necessária abertura total de possibilidades. A partida de um eixo como sua mãe é um divisor de águas. Aproveite a correnteza!"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As palavras de Tito estão anotadas no meu caderninho, como podem ver depois de muitos dias fora do ar, aqui nesta postagem aproveito a correnteza e lavo a alma. Êa! vida bem vivida essa de Rosalina!