Eternas

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Cada vez que eu voltava de uma viagem, sentia mãe mais distante deste mundo. Como se carregasse a credulidade de que realmente morreria como um passarinho. Assim foi: num sopro fulminante, em 17 de maio de 2013. 

Eu havia chegado de mais uma viagem na quarta-feira, e na sexta cedo iria para a roça. Na preparação para sair de Boninal para a Rocinha, recebi a ligação do meu irmão… "mãe morreu".

O impacto da noticia me causou cegueira momentânea, mas a luz, na sua velocidade estonteante revelou: mãe acertou. Uma linda onça iluminada brilha em algum canto do fim do mundo! As pessoas traziam flores em bacias, entravam e saiam, o semblante de mãe era sereno.

Logo as lembranceiras montaram em nossos juízos…mostrei as fotos e o vídeo onde ela orientava como queria seu túmulo.

Até o sétimo dia ficamos na labuta com as mudanças que a ausência de mãe causaria em nossas vidas. Dentre inúmeras visitas, telefonemas e mensagens que recebemos e agradecemos com amor, publico essa enviada pelo celular, por Tito Rosemberg - um ser humano ímpar, um viajante experiente, que numa rápida passagem pela roça percebeu a importância da integridade que mãe carregava, não só para nós da família: 

"Amiga, a partida para sempre de alguém tão significativo em nossa vida nunca é fácil de ser digerida. A alma não consegue encontrar respostas e a bússola não vai achar o norte por um bom tempo. Mas é uma ótima oportunidade para fazermos um balanço da vida e das opções à nossa frente. Pode ser um momento maravilhoso de desprendimento. Penso que se faz necessário um tempo de reflexão, sem pressa, sem preconceitos e sem expectativas. Uma necessária abertura total de possibilidades. A partida de um eixo como sua mãe é um divisor de águas. Aproveite a correnteza!"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As palavras de Tito estão anotadas no meu caderninho, como podem ver depois de muitos dias fora do ar, aqui nesta postagem aproveito a correnteza e lavo a alma. Êa! vida bem vivida essa de Rosalina!